WordPress é algo chato de gerenciar.

Muitos plugins, muitos temas, muitos pontos onde segurança não é o padrão.

No início as páginas geradas seguiam um padrão mais rígido, o que limitava a criatividade. Com o passar dos anos apareceram os plugins e construtores de páginas, como Visual Composer, depois o Elementor, e diversos temas, cada um com sua curva de aprendizado e todos com mais liberdade criativa.

Só que cada novo cliente e cada novo site entrava em um momento dessa história, e com isso ficava o legado a suportar, ou uma migração pendente para a nova ferramenta. Além de toda a complexidade da integração e incompatibilidades, cada uma deixa o site mais lento, e temos que treinar pessoas da equipe para cada caso.

Os plugins e temas são um problema à parte, a estrutura do WordPress é insegura por natureza, todo plugin pode alterar a base de dados inteira e qualquer arquivo do WordPress.

A ferramenta de segurança para WordPress chamada Wordfence encontra mais de 200 vulnerabilidades de segurança por semana (veja a lista de vulnerabilidades), às vezes até mais de 500 em uma única semana.

Além disso para algumas tarefas era necessário recorrer a versões pagas de temas e plugins, mais assinaturas para gerenciar e renovar anualmente.

Aí vem o dilema, manter os plugins e temas atualizados é importante para segurança, mas cada upgrade tem um risco de quebrar layout e integração dos plugins. Isso sem contar os ataques de supply chain.

Enfim, manter o WordPress é um fardo para sua equipe de TI, Segurança e Marketing.

Onde o WordPress era bom

Reconheço a importância que a plataforma teve em democratizar blogs, páginas, ecommerce, mas acho que já passou o tempo dele.

Ele cresceu, a comunidade cresceu junto, gerou muito emprego, implementou muito site de muita empresa.

Não imagino gerenciar um site que publica conteúdo, com editorial, muitas pessoas contribuindo, sem uma ferramenta como o WordPress, mas existem mais CMS (Content Management System) no mercado, muitas vezes mais especializados para esse serviço.

Como exemplo o EmDash CMS lançado pela Cloudflare (emdashcms.com), ele tem a mesma linha editorial que o WordPress com múltiplos colaboradores, até a interface é semelhante, ainda é um projeto novo, mas o diferencial é que ele é nativamente seguro.

Para escritores individuais, o Blogger esteve aí desde antes do WordPress, e o Medium resolve até a questão de assinaturas.

Para e-commerce, temos plataformas mais especializadas e integradas com meios de pagamento, transportadoras, marketplaces.

Onde o WordPress não é necessário

A maioria dos sites WordPress pertence a pequenas e médias empresas, que escolheram a plataforma para a equipe publicar conteúdo com facilidade. Esses casos de uso atendem a poucos deles.

Empresas que geram pouquíssimas notícias, sobre eventos, feiras, lançamentos de produtos, em baixíssimo volume, de no máximo três posts por semana, às vezes tão poucos quanto um por mês.

Normalmente têm uma equipe de marketing enxuta, tendo que balancear eventos, orçamento de publicidade, endomarketing e de vez em quando tendo que correr atrás do site porque algo deu defeito.

Essas empresas tendem a não atualizar o WordPress, deixando a segurança na sorte, para evitar problemas de quebrar o site por conta de incompatibilidade de plugins. Com 200 vulnerabilidades por semana, é questão de tempo até sofrerem uma invasão.

O agravante

O criador do WordPress, Matt Mullenweg, criou uma empresa chamada Automattic, eles vendem serviços de hospedagem em WordPress (o site wordpress.com) e licenciam alguns plugins.

Em 2024 ele começou a criticar publicamente uma empresa chamada WP Engine, que também tem serviços de hospedagem de WordPress, acusando a WP Engine de se beneficiar do WordPress sem contribuir de volta.

Se o WordPress não fosse código aberto, a WP Engine não existiria, mas também o WordPress não seria tão conhecido, a Automattic sabia disso quando começou.

Independente disso, é uma empresa lícita, vendendo serviços, treinando pessoas, divulgando o produto, alguém que conheceu o WordPress pela WP Engine pode acabar usando os serviços da Automattic, ou de outro fornecedor e está tudo bem.

Se ele tinha algo a dizer, deveria ter feito em caráter privado, com certeza teria encontrado um aliado na WP Engine, em vez disso criou um inimigo e agora disputam na justiça americana (Estadão).

Nessa briga, 8,4% dos funcionários da Automattic pediram a conta, colaboradores voluntários de traduções abandonaram o trabalho e parceiros começaram a procurar alternativas, com receio de serem os próximos alvos. Não sabemos nem o quão fundamentais esses funcionários eram, mas só o fato de afastar parceiros é preocupante.

IA: a última gota

O Claude Code e mais recentemente o Codex da OpenAI e até o Antigravity da Google se tornaram ferramentas fantásticas para criação de sites.

Você pode até criticar que os layouts gerados por IA são parecidos, mas os layouts padrões do WordPress também são parecidos.

Nas mãos de um criativo essas ferramentas entregam resultados excepcionais.

Se for só para remover o WordPress, pode-se conectar essas ferramentas ao banco de dados do WordPress e pedir para gerar uma cópia em HTML, a partir daí pode-se evoluir em layout, ou publicar o site diretamente em HTML gerado por IA.

Só esse movimento deixa o site mais rápido, ajuda a ter melhor posicionamento em buscas (SEO) e em respostas de IA (GEO) e evita problemas de segurança.

A maioria dos sites tem um formulário de contato, esse pequeno formulário pode ser solicitado à IA para ser criado em PHP (a mesma linguagem do WordPress), usando as mesmas credenciais para envio do e-mail que o WordPress está configurado para a equipe interna responder.

Outras integrações como busca dos artigos também podem ser implementadas facilmente pela IA, e às vezes até com melhor inteligência do que a busca simples por palavras que existia nos plugins do WordPress.

Interações avançadas podem ser feitas com ferramentas como o PowerBiz que se integra com qualquer website e tem muitas funcionalidades, entre elas até o Formulário de Contato com integração com ferramentas externas.

Pode-se criar Skills internas para validar os artigos com regras da empresa, como validação dos fatos, inclusão de links, validação da linguagem utilizada (mais formal ou mais relaxada), escrever os resumos para SEO, sugerir melhorias nos títulos, redimensionar imagens automaticamente.

Minha experiência, em empresas onde implementei isso, foi muito positiva, antes para publicar um artigo no WordPress demorava até 4 horas para formatar, posicionar imagens, ajustar visualização Mobile, agora lanço o texto cru, às vezes ditando-o, e a LLM prepara e publica em menos de 10 minutos.

Ficou mais fácil ter um lugar para testar o site antes das mudanças irem ao ar (ambiente staging para quem é desenvolvedor), pois agora a maior parte do site é HTML e CSS puro.

Algumas ferramentas, como o GitHub, profissionalizam controle de versões e publicação, uma vez configuradas, tiram toda a dificuldade técnica do caminho.

Enfim, até agora só temos vantagens dessa abordagem, posso dizer que tirou um peso das costas, uma preocupação a menos por não ter esse vetor de insegurança na empresa.

Recomendo que você faça o mesmo na sua empresa.

Sua empresa também pode deixar o WordPress para trás.